Conversão de conteúdos para e-learning
Partilho aqui uma metodologia que desenvolvi para conversão de conteúdos presenciais para e-learning, e apliquei num projecto que envolvia vários módulos de formação com diferentes peritos internacionais. Trata-se de um conjunto de passos através dos quais o instructional designer vai orientando o trabalho dos subject-matter experts.
Fase 1 – estrutura e objectivos do curso
Numa primeira fase os peritos (subject-matter experts) reflectem sobre os objectivos, estrutura e tópicos do curso (passos 1 e 2). Deve-se verificar se os tópicos listados abordam a matéria suficiente para o formando atingir todos os objectivos e se as unidades seguem uma sequência lógica (que podem ser módulos ou sessões). Este passo foi decisivo para colocar os peritos a reflectir sobre a matéria realmente crucial, pois nos módulos de formação presenciais não tinham sido definidos os objectivos específicos.
Fase 2 – desenho das actividades
Aqui desenham-se as actividades que vão permitir atingir os objectivos de aprendizagem anteriormente definidos (passo 3). As actividades que podem ser as mais variadas, como leituras, vídeos, apresentações, casos de estudo, simulações, jogos, questionários, etc.
 
Fase 3 – percurso de aprendizagem
Numa terceira fase, analisa-se a sequência e duração das actividades (passos 4 e 5). A sequência é importante pois uma determinada combinação de actividades pode ser mais adequada para o formando a atingir um objectivo de aprendizagem. Por exemplo, fazer e depois ler informação estruturada sobre o que se fez ou o contrário. Trata-se de confirmar se a sequência das actividades cria um percurso de aprendizagem coerente e lógico, que permita ao formando atingir os objectivos de aprendizagem propostos.
A sequência das actividades deve também considerar o tipo de actividades. Deve-se intercalar actividades que impliquem absorção de conhecimento com actividades que permitam ao formando praticar esse conhecimento. Caso contrário, quando o formando tiver oportunidade de praticar o que absorveu pode já ter-se esquecido de bastante informação. A nossa capacidade cognitiva é limitada e, como tal, há que evitar sobrecarregá-la de uma só vez com muita informação.
 
Fase 4 – revisão
Por último, há que rever toda a estrutura desenhada (unidades, tópicos, objectivos, actividades e sua sequência e duração) e ver se este desenho cria um curso coerente e se cria um ambiente de aprendizagem que permita atingir os objectivos de aprendizagem de uma forma satisfatória (passo 6). O que sucedeu no meu trabalho com os peritos em que usei esta metodologia foi que durante os passos anteriores por tantas vezes voltamos atrás para ver se tudo fazia sentido, que quando chegámos aqui esta revisão já tinha sido feita. Contudo, acho importante manter este passo pois cada grupo pode trabalhar de um modo diferente.
Por fim, há ainda que pensar nos recursos complementares como glossários, leituras adicionais, FAQs, etc.
O curso a ser criado vai decorrer totalmente a distância e em auto-estudo. Contudo, foi possível desenvolver duas actividades complementares que permitissem a adaptação dos conteúdos a desenvolver a cenários de blended-learning ou a distância com tutor.
Esta metodologia pode ser adaptada para o desenho de raiz de cursos de e-learning. Para isso, há que pensar anteriormente em mais alguns passos que contemplem as necessidades de formação, o público-alvo e as suas características, os objectivos gerais que se pretende atingir com a formação (tanto em termos de objectivos de aprendizagem como de objectivos do cliente, que podem passar por aumentar vendas, diminuir acidentes de trabalho, entre outros).
Para apoiar esta metodologia desenvolvi umas fichas de trabalho, onde todas as informações de cada passo iam sendo registadas. Pode fazer download destas fichas aqui.
Aqui fica a apresentação completa.





